Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
segunda-feira, 9 de março de 2009
ain't got no, i've got life.
terça-feira, 3 de março de 2009
simples e complexo.
o beijo, klimt, 1907. a simplicidade não exclui a complexidade ;~.terça-feira, 30 de setembro de 2008
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
9 musas.
"A mulher nunca estragaria a vida de um homem na bossa nova, ela sempre seria uma espécie de musa e nunca seria uma bandida que traiu e que fez o cara beber até a morte." Carlinhos Lyra falando para a Folha.
* Tati, quem não deixou mesmo querendo, por orgulho.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
"é dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre."
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
carnavalização, um viva pra ela!
O carnaval é a interrupção da vida cotidiana. É onde acontece avesso. É uma paródia à vida comum. É a inversão de papéis onde o rico pode ser pobre e o pobre pode ser rico. Onde o homem pode ser mulher e a mulher homem. É a quebra.
O carnaval é uma festa especial de espírito dionisíaco-avassalador. Especial pois é regida pela liberdade sentimental de todas as pessoas que participam do jogo. Não tem limites. Nele, os locutores são interlocutores ao mesmo tempo. Não há lei.
A quebra, a inversão de papéis, faz com que o sujeito tenha um espaço para exercitar sua utopia, para ser livre. E, depois, voltar renovado à sua realidade diária e dura.Nesse tempo, onde acontece a transgressão, o sujeito tem essa sensação para não ser de nada ou tudo, de ninguém, tendo um certo alívio, para descansar a alma e depois poder retornar renovado e transformado para seguir novamente sua vida comum.
"A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
Pra tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade sim"
(a felicidade - vinícius e tom).



